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Nossa Senhora de Fátima, esperança para todos

“A treze de maio, na cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria…”. A cada vez que os versos dessa canção, tão popularmente conhecida, recaem sobre nossos ouvidos, sentimos talvez uma comoção, uma sensação de acalento e conforto habituais de quando nos confiamos ao colo materno. No colo da mãe encontramos refúgio, consolo e também coragem para enfrentar nossos temores e superar as angústias que nos fatigam. E neste dia de Nossa Senhora de Fátima nos sentimos abraçados e acolhidos pela Mãe cheia de graça.

Lançar o olhar para a história das aparições em Fátima, em 1917, pode nos auxiliar particularmente hoje, em que vivemos os dramas dessa pandemia (e tantas outras aflições) e somos chamados a ser “alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração”, como nos anima Paulo, em Romanos 12,12. Qual é a sua maior dor nesse triste episódio histórico? Seguramente, Nossa Senhora pode confortar essa angústia.

Maria olha para nossa dor, seja ela qual for. Afinal, foi aos pés da cruz, no ápice de todo o indescritível sofrimento de Jesus, que Ele nos deixou Sua Mãe Santíssima, para nos acolher e encorajar. Podemos pensar assim o encontro das três crianças com a Senhora em Fátima, e que coragem tiveram esses jovens evangelizadores, em quem Maria despertou, antes de tudo, a vontade de cuidar das chagas de Jesus, amando a Eucaristia e alcançando almas para Deus.

A história das aparições é muito conhecida e se deu entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917, início de um século marcado por guerras, fome e, entre outras angústias, também o drama das pandemias. Esse fato é também muito conhecido na história dos três pastores (Francisco, Lúcia e Jacinta) que viam Nossa Senhora, mas talvez alcance novos sentidos nos ares de 2020: os jovens Francisco e Jacinta Marto faleceram vítimas da epidemia conhecida historicamente por “Gripe Espanhola”. Conta-se que em fevereiro de 1920 (há 100 anos), Jacinta faleceu sozinha, sem poder ter sua família perto de si, porque se encontrava em isolamento, uma vez que estava acometida pelo vírus que assolava a comunidade à época. Diz-se também que a menina desejava receber a Eucaristia, mas lhe foi negada por conta das medidas de precaução impostas no combate ao vírus.

Talvez não seja necessária nenhuma palavra mais para que façamos todas as relações possíveis com nosso tempo atual, com nossa saudade da Eucaristia celebrada presencialmente, em comunidade, com as angústias desse necessário tempo de isolamento. Quantas vezes já não ouvimos a história dos pequenos pastores de Fátima, talvez sem sentir com eles essas dores?

Se em outros anos esse detalhe não nos foi tão pungente, isso se deu porque temos o olhar de quem está “no futuro” e consegue ver claramente os cuidados de Deus nessa história que marcou o início do século passado. Ora, essa certeza deve ser fonte de esperança hoje para nós, diante dos dramas do Covid-19. Devemos nos inspirar na coragem dessas crianças, que tão cedo partiram dessa vida, vítimas de uma epidemia, mas que até o último dia só tinham o desejo de estar na vida eterna junto a Deus.

Este ano, particularmente, temos a oportunidade de sentir, talvez de maneira mais próxima como nunca, a experiência de crer nos cuidados da Senhora de Fátima, Mãe que segurou o corpo do Filho crucificado, que apareceu aos pequenos pastores em Fátima, preparou-os para os sofrimentos que  viriam e por meio deles encorajou toda a humanidade a amar a oração e a salvar as almas. Essa mesma Mãe nos acolhe hoje e a Ela confiamos nossas angústias.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

Referência:

http://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/fatima-sinal-de-esperanca-para-o-nosso-tempo/

* Artigo por Thielle Piotto

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Dom Aloísio Vitral

Quinto Bispo da Diocese de Sete Lagoas, empossado para essa Igreja Particular no dia 16 de Dezembro de 2017.

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