Destaques Pastoral Catequética

Pastoral Catequética divulga Plano para Assembleia Diocesana de Catequese

TEMA: CATEQUESE: SERVIÇO DE INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

“Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais.” (Jo 19,35)

 

Nestes mais de 60 anos de caminhada, nossa Igreja Particular tem dado passos significativos em sua ação evangelizadora, a fim de cumprir a sua razão de ser e o mandato recebido do próprio Cristo: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura.” (Mc 16,15). A catequese de nossa diocese acompanha, ou melhor, faz e acontece no ritmo de nossos passos. Sem modéstia, podemos dizer que nela encontramos o rosto da ação pastoral diocesana.

Cada momento da história nos apresenta desafios novos a serem superados, ou mesmo discernidos e resignificados à luz do Evangelho de Cristo. Isso exige de nós que tenhamos os pés bem firmes, fincados no chão de nossa realidade, para que na diversidade dos tempos, espaços e corações saibamos ver e ler cristãmente os sinais que nos são apresentados. Exige portanto, que olhar esteja em profunda sintonia com o olhar do Divino Mestre a fim de que nossos projetos sejam verdadeiramente o cumprir de sua Santa Vontade.

Nossa diocese é formada por 41 paróquias, distribuídas em cinco setores (Centro, Sul, Leste, Norte e Oeste). Cada setor apresenta realidades de singularidade própria marcada por contrastes (cidade e campo, moderno e clássico, indústria e agricultura). Mesmo dentro do mesmo setor ou paróquia, destacam-se extremos evidentes, como é o caso do setor centro, onde há a polarização entre o centro e a periferia, o tradicional e o contemporâneo, os condomínios e bairros populares e etc. Juntas estas realidades tão distintas formam o mosaico de nossa diocese. Longe de representar um empecilho, são antes a nossa maior riqueza.

Pensar um plano de ação conjunta de modo algum poderá desconsiderar essa diversidade, mas a partir dela dar o tom de uma nova sinfonia, como maestros na busca de harmonia em meio ao caos de sons dissemelhantes. Por outro lado, a negação da uniformidade em vista do respeito a singularidade não nos deve conduzir a fragmentação e unicidade por si mesma. Se muito há o que nos distingue, mais forte é o que nos une: Jesus Cristo. Nele se fundamenta a necessidade de um plano comum, de um olhar para o mesmo horizonte e caminhar juntos, de ser Igreja-comunhão.

NECESSIDADE DE UM PLANO DIOCESANO DE CATEQUESE

Urgências da Evangelização

O Diretório Nacional de Catequese afirmou, já em 2006, a necessidade de uma catequese com inspiração catecumenal (cf. n 35-40). Este direcionamento estava em profunda sintonia com o que nos pediam os Bispos Latino-americanos reunidos em Aparecida no mesmo ano: “discípulos missionários”. Somos motivados a uma conversão pessoal e pastoral onde o eixo de nossa missão esteja estruturado no fundamento e na meta de um verdadeiro encontro com Cristo. Neste encontro esta a experiência fontal da vida da igreja. Neste sentido, a Conferência de Aparecida fez eco em vários momentos às palavras do Papa Bento XVI: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas um encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Deus caritas est, n 217).

Nestes mais de dez anos de caminhada da Conferência e do Diretório Geral de Catequese, a Igreja conclamou persistentemente aos fieis a entrarem na dinâmica de conversão pessoal e pastoral. Em 2011, a Iniciação à Vida Cristã foi colocada pela CNBB como uma das urgências pastorais das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, o que culminou na apresentação do Documento 107, “Iniciação à vida cristã: itinerário para formar discípulos missionários. Recordamos aqui a exortação do Papa Francisco em sua primeira carta: “Convido todo cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, procura-lo dia-a-dia sem cessar” (EG n 3).

Muitas vozes se levantaram apontando a necessidade de planos audaciosos e itinerários catequéticos, sobretudo com adultos. Isto em vista de se estar em comunhão com a intuição da Igreja sob a inspiração do Espírito. Buscaram-se caminhos para um processo de transmissão e amadurecimento da fé que desenvolvessem nos catequizandos a mística do discipulado missionário de Jesus Cristo. O desafio é hercúlico, pois requer uma mudança de mentalidade, das estruturas e da compreensão do ser cristão. A pergunta fundamental é: Como ser cristão e apresentar a fé em um mundo em mudanças dito pós-cristão?

Ação Catequética no mundo atual

Vivemos numa época de mudanças, ou melhor, numa mudança de época, é o que nos recorda os estudos desenvolvidos nos últimos anos acerca da conjuntura atual. Neste contexto, o Evangelho já não permeia toda a sociedade. Não nos é estranho a apresentação de lugares onde se vive uma espécie de pós-cristianismo. Já não podemos nos apegar as respostas antigas de sempre, quando já se mudaram as perguntas.

Já na conferência de Santo Domingo os Bispos Latino-americanos apontavam para a necessidade de evangelizar os batizados, afirmavam: “A partir da situação generalizada de muitos batizados na América Latina, que não deram sua adesão pessoal a Jesus Cristo pela conversão primeira, se impõe, no ministério profético da Igreja, de modo prioritário e fundamental, a proclamação vigorosa do anúncio de Jesus morto e ressuscitado” (São Domingos, n 33).

Sem o amparo de uma sociedade onde a fé pode ser percebida e apreendida como constituinte da cultura, temos de buscar novas formas de apresentação deste “tesouro” que nos foi apresentado como salvação: Jesus Cristo. Não basta, para tanto,nos apegarmos a verdades doutrinais, intelectualmente bem elaboradas, mas que não atingem a intimidade das pessoas. Vivemos num contexto em que a nossa fé é tida como mais uma oferta entre as demais. Em tempo de tantas ofertas religiosas, é preciso saber dar razões da esperança em Cristo (cf. IPd 3,15).

A catequese não deixa de ser também doutrinal, mas deve colocar-se dentro de um dinamismo missionário evangelizador cujas características configurem um processo iniciático da fé. Em outras palavras, uma catequese que inspire o apaixonamento por Jesus Cristo na e através da Igreja. Isto diz respeito tanto às crianças que estão no processo de iniciação e preparação para os sacramentos, quanto para os adultos que buscam na Igreja conhecer a Jesus Cristo, como também para aqueles que não despertaram este desejo, aos quais somos enviados a despertar o encanto do que descobrimos em Jesus Cristo.

O Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA – 1973) se inspirou na prática da Igreja dos primeiros séculos para proposta de uma nova postura diante da catequese com adultos. Trata-se de uma síntese que envolve anúncio, liturgia, serviço, comunhão (comunidade) e testemunho. Um processo permanente de seguimento a Jesus Cristo, em que o sacramento não é visto como ponto de chegada, mas como constituinte de toda a vida cristã. Configura-se assim o catecumenato, um processo progressivo de desenvolvimento da fé, seguido de uma mistagogia ou aprofundamento da fé marcado também por rituais e símbolos.

Este processo de caráter catecumenal poderá ser uma resposta para a catequese em suas outras formas de atuação, de modo especial para com as crianças e adolescentes. Trata-se de envolvê-la na dinâmica da mesma ritualidade, uma ação mais mística, celebrativa e testemunhal do que teórico-formativa, onde a narração das experiências existenciais dos catequistas com Cristo se torna o canal para o anúncio. O catequista se faz mistagogo. Ele fala de si mesmo com Cristo, da sua experiência de salvação e pela liturgia e ritos o catequizando é conduzido a um mergulho no mistério. Não se trata de reprodução da sua experiência no catequizando, mas um anúncio testemunhal que leva ao encanto, ao mergulho, ao discipulado e daí à missionariedade.

Assembleia Diocesana de Catequese

O sonho e a urgência de um plano comum de ação pastoral específico da catequese em nossa diocese é uma realidade antiga e uma das principais reclamações dos catequistas e de alguns presbíteros (Qual referencial da catequese diocesana? O que fazer e como se dá o nosso fazer catequético? Qual a orientação da Igreja? Prioridades da Igreja no Brasil e da Diocese?). Porém, nenhuma ação conjunta pode ser deliberada de modo arbitrário e desconsiderando as aspirações e anseios da realidade em que estamos e do Espírito que nos conduz.

Deste modo, começar por uma assembleia geral de catequese é o meio de se escutar os corações, definir as prioridades e estipular metas conjuntas a partir de cada realidade particular. Sabemos dos contrastes presentes em cada setor e que devem ser considerados para toda nossa prática catequética. Ainda que pareça repetitivo o que vamos ouvir, de modo algum seria um “chover no molhado”, mas a tentativa de uma nova escuta a partir da fé. Ouvir e ver ao modo de cristo é o princípio e fundamento para a missão, para agir como Cristo. Ou melhor, já podemos dizer que este jeito de ser já seria a missão em Cristo.

Recordamos que o desejo de realizar uma Assembleia Diocesana de Catequese se dá pela necessidade de mapearmos os desafios da realidade catequética atual em nossa diocese, a partir da escuta atenta dos grupos de catequistas, que atuam nos diferentes setores, para identificarmos o chão de nossa catequese (ONDE ESTAMOS); definirmos as razões da esperança que nos move rumo a uma catequese mais querigmática e celebrativa (ONDE PRECISAMOS ESTAR) sonho;  e ver quais urgências pastorais precisam ser priorizadas e cuidadas (COMO ESTAMOS) rosto.

Deste modo, a Assembleia Diocesana de Catequese nos possibilitará escrever o Projeto Diocesano de Catequese num processo participativo de avaliação para definirmos os rumos da catequese na Diocese em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB. Assim podemos definir, por prioridade, as atividades pastorais que precisam ser realizadas e que apontam para a igreja que queremos ser.

Passos a serem dados

Movida no espírito de comunhão e participação e contemplando o mesmo horizonte, Jesus Cristo, nossa Assembleia Diocesana de Catequese caminha em passos bem definidos acompanhando o ritmo das comunidades e graus dos ministérios. Neste processo é importante não deixar ninguém pelo caminho alheio à missão – por escolha, por estar em outra dinâmica,  ou simplesmente excluído do processo. Assim, passo a passo, vai se dando o nosso caminho em Cristo.

1º Passo: PREPARANDO PARA ASSEMBLEIA (Abril a junho de 2018)

Nos meses de abril a junho deste ano de 2018, nossa Equipe Diocesana de Catequese vem se reunindo periodicamente em vista da elaboração de um subsídio para que seja apresentado no Encontro Diocesano de Catequese a realizar-se no dia 4 de agosto (conforme previsto em calendário). Neste sentido, foram elencados quatro eixos a serem abordados em um material comum (subsídio) e desenvolvidos nesse Encontro Diocesano de Catequese. Os assuntos centrais apontados pela equipe diocesana são:

  1. Os desafios para a apresentação da fé:

Nos últimos anos a Igreja tem realizado profundas análises dos desafios para Evangelização, como podemos perceber nos documentos do Papa Francisco, na Conferência de Aparecida e nas consecutivas propostas da CNBB de Diretrizes de Ação. Nosso objetivo é, acolhendo essas reflexões, somar ao conhecimento de nossa própria realidade diocesana.

  1. b) Catequese no contexto atual:

A partir das análises de conjuntura já explicitadas no eixo anterior, somamos às reflexões desenvolvidas nestes dois últimos anos pela catequese diocesana, o estudo do livro “Catequese no mundo Atual” e o Seminário com a participação da Professora Dra. Solange do Carmo, autora do livro, juntamente com as partilhas e convívio da Equipe Diocesana com as realidades particulares de cada setor, paróquia e comunidades de nossa Diocese, é possível levantar alguns apontamentos pertinentes à catequese em nossa realidade específica de Sete Lagoas, para percebermos como as mudanças na conjuntura atual podem ser sentidas e apontadas em nossa realidade.

  1. c) Perspectivas da Igreja no Brasil:

Considerando este refletido contexto, a Igreja no Brasil vem apontando caminhos ou urgências na ação evangelizadora. A catequese não está alheia a estes apelos. Por isso deve continuamente rever sua práxis em vista de estar em comunhão com a Igreja. A Catequese não deve ser, ou melhor, não é uma “ilha” na ação conjunta eclesial. Deste modo, neste tópico iremos abordar os caminhos da Igreja no Brasil à luz de nossa realidade diocesana.

  1. d) A proposta de uma catequese com inspiração catecumenal

A catequese com Inspiração Catecumenal vem sendo apontada pela Igreja como resposta à nova realidade eclesial. É pertinente, portanto, nos debruçarmos sobre esta proposta, resgatada da ação na Igreja dos primeiros séculos, em vista de buscarmos novas vias para a eficácia da ação catequética.

2º passo: ENCONTRO DIOCESANO DE CATEQUESE (04 e 05 de agosto de 2018)

A catequese diocesana tem agendado para as datas de 04 e 05 de agosto deste ano de 2018 o Encontro Diocesano de Catequese. Nossa equipe diocesana viu neste encontro a oportunidade de apresentar os eixos abordados nos subsídios através de oficinas oferecidas às lideranças (cinco de cada paróquia). Será ocasião para partilhas e debates que propiciarão um novo olhar a respeito das realidades paroquiais.

3º Passo: ROTEIROS PARA REFLEXÃO E ENCONTRO NOS SETORES (Setembro de 2018 a Fevereiro de 2019)

A partir da consulta e coleta de informações do que foi partilhado em grupos no encontro diocesano, será elaborado pela equipe um roteiro com uma linguagem mais simples e objetiva para que possa ser apresentado pelos articuladores no encontro setorial a ser agendado pela equipe junto ao clero diocesano. Será a oportunidade dos representantes paroquiais apresentarem, juntamente com membros da Equipe Diocesana, o que foi refletido no Encontro Diocesano de Catequese.

4º Passo: ESTUDO E REFLEXÃO NOS GRUPOS DE CATEQUISTAS DAS COMUNIDADES (Março a junho de 2019)

  1. a) Com os Roteiros em mãos, todos os catequistas de cada comunidade poderão apresentar a sua contribuição à equipe diocesana. Após o estudo pelos catequistas deste material nas comunidades, a paróquia poderá realizar um plenário para definição das prioridades da catequese paroquial, bem como a indicação dos “delegados” ou representantes que irão participar da Assembleia Diocesana de Catequese que definirá os rumos e prioridades da Catequese em nossa Diocese.
  2. b) Após a acolhida desse material vindo das paróquias, a equipe diocesana de catequese fará um esboço da catequese e suas urgências.

5º Passo: ASSEMBLEIA DIOCESANA DE CATEQUESE

  1. a) Apresentação do mapeamento da realidade catequética diocesana pela equipe.
  2. b) A realização da Assembleia Diocesana que decidirá os objetivos e a programação da ação catequética em nossa Diocese.

6º Passo: PLANO DIOCESANO DE CATEQUESE

Elaboração do projeto Diocesano de catequese contendo os objetivos, as prioridades e as ações pastorais aprovadas pela Assembleia Diocesana.

7º Passo: Apresentação do Projeto e encaminhamento às paróquias para apreciação e execução.

8º passo: Avaliação – Criar estratégias para uma ação acompanhada do processo pós-Assembleia.

Considerações Intermediárias

Não soa bem o termo “Considerações Finais”, pois dá a impressão de ser a palavra que quer encerrar a discussão. E não é esta a proposta deste projeto para Assembleia Diocesana. Almejamos que seja uma proposta de escuta e diálogo de quem não quer trazer respostas prontas, mas está disposto a trilhar junto este caminho de testemunhar o que se experienciou aos “pés da cruz” como o “Discípulo amado” do Evangelho.

É preciso ousar um pouco mais em nossa ação pastoral diocesana. Não podemos nos encerrar em nossas zonas de conforto: naquilo que já foi sancionado como única proposta de ação ou, o que é pior, pensando que nada dá certo e por isso “vamos deixar como está, para ver como que fica”. Aqui vale as palavras bem colocadas do Papa Francisco: “É verdade que precisamos abrir a porta a Jesus Cristo, porque Ele bate e chama (Ap 3,20). Mas, pensando no ar irrespirável de nossa autorreferencialidade, pergunto-me se, ás vezes, Jesus não está já dentro de nós, batendo para que o deixemos sair” (Gaudete et exultate, n 136).

Cordialmente,

Selma da Silva Cardoso Araújo e Pe. Juliano Ribeiro da Costa

P/ Coordenação Diocesana de Catequese

Share This