Destaques Formação Permanente

A missão é nossa missão!

Com o advento do Concílio Vaticano II (1962-1965) a Igreja no mundo recebe, através do Decreto Ad Gentes, um novo impulso missionário a fim de que, ela peregrina no mundo, voltando às fontes deixadas pelo próprio Divino Mestre, redescubra sua vocação primeira que “por íntima exigência da própria catolicidade, obedecendo a um mandato do seu fundador, procura incansavelmente anunciar o Evangelho a todos os homens”. (cf.: AG 1). Vemos aqui os sinais dos tempos, a exigência feita à Igreja de se fazer em saída, como permanente peregrina que de modo perene caminha pelas estradas do mundo levando A Palavra que salva e liberta.

Por isso, urge há decênios a necessidade de nos reconhecermos como cristãos missionários, e estes reconhecimentos cabem a todos os batizados e não somente à hierarquia da Mãe Igreja. Somos configurados assim como mensageiros da Boa-Nova pela graça que recebemos em nosso Batismo. Na fonte batismal acolhemos o tríplice múnus que o Sacramento nos imprime de sermos: sacerdotes, a fim de colocar a nossa vida a serviço do outro, instituídos profetas, que anunciam A Palavra da libertação e salvação por onde passamos, e reis, participantes do reinado da justiça em Cristo Jesus. O desejo de Jesus é justamente que nos façamos missionários profetas, profetas missionários que sem medo levam O mandamento do amor para além dos limites geográficos que por vezes podem se apresentar como verdadeiras limitações para o anúncio. Se o Vaticano II foi e é o novo sopro nas narinas da Igreja, a missão se faz também como “ânima” da existência cristã. Não é utopia rezarmos a Deus e pedir que aquilo que em tempos de outrora fora dito pelos lábios de Moisés, se torne visível na contemporaneidade: “Oxalá todo povo de Deus fosse profeta, dando-lhe O Senhor o seu Espírito!” (Nm 11,29b), é esperança de que nos corações cristãos seja despertado o desejo de assumir a missão.

Cada qual, movido pela força do Espírito, aceitar e tomar para si o desejo de ser anunciador da verdadeira vida. Numa relação cíclica de complementariedade onde podemos pensar numa relação própria da família em que “o avô completa o neto, os filhos completam o pai ou como na natureza em que a água completa o solo e a humanidade com os vegetais.” (SUESS p.105). Nessa relação por que não dialética que se constrói, vemos assim brotar a graça de assumir a missão. Sim, missão não é apenas o colocar-se a caminho, numa perspectiva ad extra,que fora supracitada, mas por primeiro ser irradiador do amor que é como que o elemento exordial para se tornar alguém que protagoniza uma Igreja em saída. É por primeiro ser ad intra, ser próximo de quem é teu próximo e nessa proximidade temporal, geográfica e até mesmo causal fazer dali sua primeira missão.

Desse modo é missão de cada batizado, de cada fiel cristão nos seus mais variados modos e lugares onde vivem manifestar “por seu exemplo de vida e pelo testemunho da palavra, o homem novo de que se revestiram pelo Batismo” e ser expressão vivaz do robustecimento recebimento pela confirmação quando é plenamente derramada a virtude do Espírito de tal modo que os “demais homens, ao verem as suas boas obras, glorifiquem o Pai e compreendam, mais plenamente o sentido genuíno da vida humana e o vínculo universal da comunidade humana.”( cf.: AG 11).

Não é missão de outrem, e sim de cada um de nós, pois como nos lembra a canção: Deus chama e quer ouvir a nossa voz, Ele que nos criou nos quis e nos consagrou para sermos todos anunciadores do teu amor.

Nesse horizonte de tomada de consciência da responsabilidade missionária de cada batizado que a Igreja no Brasil faz da missão o tema para o mês de outubro. O grande intuito desse mês temático é fazer com que seja viva na mentalidade de todo homem e mulher batizados que a missão é para cada fiel, em cada comunidade, em casa, no trabalho, nos estudos que todos somos chamados a sermos missionários em tempo integral nem sempre usando das palavras ou da Palavra, mas sempre exercendo o exemplo que faz a grande diferença em situações de tanta indiferença.Peçamos a Deus a graça de nos imbuir do desejo missionário, de fazer da nossa vida perfeita missão.

 “Senhor que no princípio feito verbo, por amor a toda a humanidade encarnou-se e tomou a condição humana para si, queremos vos louvar e bendizer por toda graça derramada sobre nós, e vos suplicamos, despertai-nos para a missão, reacendei em nós a chama batismal e nos dê a tua luz, para que possamos ser faróis que orientam, dá-nos Senhor, a graça de sermos sal a fim de que através do nosso exemplo de missionários outros tantos irmãos possam sentir teu sublime sabor. Isto vos pedimos com O Pai na Unidade do Santo Espírito. Amém”.

 

Rafael Lucas Bastos Ribeiro

Estudante do 4o período de Teologia PUC-MG,  seminarista da Diocese de Sete Lagoas e coordenador do Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE).

 

Bibliografia:

BÍBLIA DE JERUSALÉM

SUESS, Paulo. Impulsos e intervenções: atualidade da missão. São Paulo: Paulus, 2012.

Introdução à teologia da missão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

VATICANO II. Ad gentes: sobre a atividade missionária da Igreja. Petrópolis: Vozes, RJ: 1966.

 

  Conselho Missionário de Seminaristas da Diocese de Sete Lagoas 

A marca do Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE)[1] de Sete Lagoas foi pensada a partir de algumas particularidades da nossa Igreja Diocesana.

            Os dois arcos ao fundo remetem-nos ao monte, lugar onde nas Sagradas Escrituras, O Cristo subia a fim de orar ao Pai (cf.: Mc 6, 46) e ao descer renovado em sua missão operava milagres, curas, exorcismos e ensinava. É o lugar do encontro. Na Igreja particular de Sete Lagoas temos a Serra de Santa Helena como o monte referencial de nossa fé, esta que cerca parte da Sé Diocesana.

            A nau que navega de leste a oeste recorda-nos a vocação de Abraão (cf.: Gn 11,1) que saiu de Ur dos Caldeus para se tornar o pai de uma multidão indizível.

            A vela da nau é a Cruz de Cristo que nos impulsiona a seguir Seu mandamento: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura.” (cf.: Mc 16 ,15).

            As linhas contemporâneas em vermelho referem-se ao sopro do Espírito sobre os discípulos no cenáculo (cf.: Jo 20,22).

            O casco da nau é tocado por sete ondas e alude aos sete espelhos d’água que dão nome à Sé diocesana. É menção também à missão “ad intra” que deve ser empreendida por primeiro.

            A estrela de oito pontas alude a Maria “a estrela da evangelização” (cf.:EG 287) e também como Padroeira da Diocese sob o título da Imaculada.

[1] Marca desenvolvida pelo Seminarista Rafael Lucas Bastos Ribeiro, coordenador do COMISE da Diocese de Sete Lagoas 2017-2020.

Voz do Pastor

Dom Francisco Cota

Dom Francisco Cota

Em 10 de junho de 2020 foi nomeado pelo Papa Francisco, o sexto bispo da Diocese de Sete Lagoas (MG).

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