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A unidade dos cristãos e a tarefa da libertação

A divisão das Igrejas impede um testemunho mais forte e unificado de todas as comunidades cristãs em favor da paz, da justiça e do cuidado com a Terra e a natureza.

Por Marcelo Barros

 

De 13 a 20 de maio, em muitos lugares do hemisfério sul, cristãos das mais diferentes Igrejas uniram-se na Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos. É uma iniciativa que nasceu, há mais de cem anos, tanto no ambiente católico, como em meios evangélicos. No hemisfério norte, essa semana é celebrada em janeiro. No Sul, as Igrejas históricas costumam ligar esse evento com a semana anterior à festa de Pentecostes. Pedem a graça da unidade visível de todas as pessoas batizadas, já que se acredita que “há um só batismo, uma só fé e um só Senhor”, portanto a unidade fundamental já existe. Só que não se vê. O que se vê é divisão, indiferença a outras Igrejas e a arrogância de se pensar a única Igreja de Cristo.

Atualmente, todas as Igrejas envolvidas nesse caminho da unidade têm consciência de que é preciso superar a divisão, mas a diversidade é boa e deve ser mantida. Ninguém deseja a uniformidade. A meta é a unidade na diversidade e a serviço da humanidade. Nesse ano, o tema da Semana da Unidade inspirou-se em um verso do livro do Êxodo e diz: “A mão de Deus une e liberta”. Os subsídios para as reflexões e cultos foram preparados por cristãos do Caribe. Ao mesmo tempo, essas meditações sobre a unidade propõem unir as Igrejas na defesa dos migrantes e refugiados, expostos aos mais graves riscos de vida e vendo os seus direitos humanos violados.

A divisão das Igrejas impede um testemunho mais forte e unificado de todas as comunidades cristãs em favor da paz, da justiça e do cuidado com a Terra e a natureza.

No mundo atual, existem mais de 20 guerras internacionais. Em muitos desses conflitos, para se matarem uns aos outros, os grupos ou povos envolvidos invocam, além de interesses econômicos e políticos, também motivos religiosos. O Estado de Israel oprime os palestinos por uma visão imperialista e racista da história. No entanto, mesmo se muitos grupos judeus e muçulmanos trabalham pelo diálogo e pela solidariedade inter-religiosa, a divisão entre as duas culturas religiosas ainda é um fator que não ajuda. No sul da Índia, se opõem muçulmanos e hinduístas, na Nigéria, muçulmanos e cristãos. Hans Kung, teólogo suíço, afirmou:

O mundo não terá paz se as religiões não aprenderem a dialogar entre elas e as religiões não dialogarão se as Igrejas cristãs não se unirem”.

Nos anos 60, o papa João XXIII convocou em Roma todos os bispos católicos do mundo no Concílio Vaticano II. Quando o papa pensou o Concílio, sua primeira intenção era abrir a Igreja Católica à unidade com as outras Igrejas. O Concílio ensinou que o projeto de Deus é a unidade, tanto dos cristãos, como de toda a humanidade. “A divisão dos cristãos  é contrária à vontade divina. Contradiz o evangelho do amor e, por isso, é um obstáculo para a missão da Igreja” (U.R. 1). Se a divisão é expressão do nosso pecado, a unidade só se fará através da conversão do coração e da oração. A unidade é dom de Deus. Portanto, precisamos pedi-la e nos dispor para recebê-la do Pai. Na véspera de sua paixão, Jesus orou ao Pai pela unidade de todos/as os que um dia viessem a crer nele: “para que sejam Um, assim como Eu e Tu somos um. Que eles (elas) sejam unidos, para que o mundo possa crer que Tu me enviaste” (João 17, 19- 21).

 

Marcelo Barros é monge beneditino e teólogo especializado em Bíblia.

Fonte: domtotal.com

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