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O significado do Sínodo Pan-Amazônico

Na última quarta-feira (13), realizou-se a aula inaugural do Departamento de Teologia organizado pelo Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa da PUC Minas. O palestrante foi o Professor Pe. Paulo Suess, doutor em Teologia Fundamental, fundador do curso de Pós-Graduação em Missiologia, na então Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, membro do Conselho Sinodal que prepara o Sínodo Pan-Amazônico e professor em várias Faculdades de Teologia no ciclo de Pós-Graduação em Missiologia. O tema abordado na aula inaugural foi: “A proposta do Papa Francisco para o Sínodo Pan-Amazônico 2019”.

Integrantes do Conselho Sinodal em reunião com o Papa Francisco, no Vaticano, durante encontro preparatório para o Sínodo Pan-Amazônico de 2019. [Na direita o Professor Pe. Paulo Suess e o Cardeal Claudio Hummes].

Para tratarmos do significado deste sínodo, a realizar-se em Roma no mês de outubro, é preciso compreender os caminhos que a Igreja Católica, com o pontificado do Papa Francisco, tem percorrido. Segundo Paulo Suess, caminhamos em direção a uma “Igreja moderna e modernizada, lutando por justiça e participação, uma Igreja pós-colonial com o rosto amazônico e indígena”. Esta visão não parte de uma ideologia progressista ou mero sentimentalismo de mudar as estruturas da Igreja! É a partir de uma análise da história e da realidade que chegamos a necessidade de um Sínodo para a Amazônia – considerada muitas vezes como o “pulmão do planeta”.

Com o pontificado do Papa Francisco são destacados três eixos que norteiam todo o agir da Igreja no mundo atual. O primeiro deles é o eixo da “sinodalidade como método”, isto é, uma Igreja que promove a participação de todo o povo no debate e na ação evangelizadora. O segundo eixo é a “missão como relevância do ser cristão”, para dizer que vivemos em uma Igreja em saída, que precisamos estar atuantes na sociedade, promovendo a dignidade humana, o meio ambiente e testemunhando o Evangelho de Jesus. Suess, afirma que “quando os cristãos anunciam um Evangelho sem conexões econômicas, sociais, culturais e políticas, trata-se de uma “mutilação” e de um conluio, embora inconsciente, com a ordem estabelecida”. O terceiro eixo é o da “ecologia integral como horizonte e responsabilidade”, precisamos olhar para o planeta e sentirmos como parte dele. Somos criaturas criados o humano e a natureza! Por isso a necessidade de uma integração autêntica do ser e principalmente assumir sua responsabilidade. Para Dave Pruett, “a ecologia integral também reverte os atuais paradigmas econômicos, seja o capitalista ou o socialista. Ela concebe uma esfera econômica que serve às necessidades legítimas de indivíduos e sociedades em vez de explorá-los para servir às necessidades artificiais da economia. E ela exige que a economia respeite os limites finitos do mundo natural”.

De fato, percebe-se que as mudanças de regimes políticos, do autoritário para o democrático, não mostraram significativas mudanças no que se refere a preservação ambiental, o respeito aos povos indígenas originários da região amazônica. O desafio do sínodo é abrir os olhos de toda a humanidade, em especial aos povos locais, para entender que a mudança para a preservação depende unicamente do próprio povo!

O período colonial provocou uma evangelização que hoje percebemos deficiente! As pessoas não eram evangelizadas por convicção de fé, mas por obrigação ou medo do castigo divino. Era totalmente desvalorizada a cultura dos povos que deram origem as civilizações. O Papa Francisco faz um apelo à autodeterminação dos habitantes da Amazônia: “é bom que agora sejais vós próprios a autodefinir-vos e a mostrar-nos a vossa identidade. Precisamos de vos escutar, escutar a leitura histórica do seu passado e a explicação antropológica de sua visão do mundo, dos seus costumes e suas tradições milenares. E isso vale para todos os campos sociais, para a saúde, a educação, a política, como também para a pastoral da Igreja”. O Papa confessa que a Igreja necessita dos povos amazônicos, que precisam “plasmar culturalmente as Igrejas locais amazônicas” e assim forjar uma “Igreja com rosto amazônico e uma Igreja com rosto indígena”.

Papa Francisco encontrou os participantes da 4ª Reunião do Fórum dos Povos Indígenas convocada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) organismo das Nações Unidas. O encontro foi realizado na sede da FAO em Roma, na manhã de quinta-feira (14/02).

Segundo o professor Suess, faz tempo que Amazônia está na agenda da Igreja, porque NA DEFESA DA AMAZÔNIA ESTÁ A DEFESA DO FUTURO DO PLANETA TERRA. No ambiente eclesial latino-americano, foi a Conferência de Aparecida (2007) que lembrou a “importância da Amazônia para toda a humanidade” (DAp. 475). A floresta amazônica, por vezes chamada de “pulmão do mundo”, aponta para uma pneumonia do nosso planeta. Essa pneumonia, com suas dimensões socioeconômicas e pastorais, não é uma fatalidade. Ela tem causas, envolve interesses e pode ser curada.

Portanto, O Sínodo Pan-Amazônico é dedicado à preservação de um bioma com seus habitantes e tem como ponto de partida o imenso território do qual fazem parte nove países: Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa e Brasil, que ocupa aproximadamente 68% do território amazônico. Esse território corresponde praticamente à metade do solo brasileiro. Já tivemos outros sínodos não propriamente temáticos e destinados a territórios-continentes, como o da África (1995, 2009), da América (1997), da Ásia (1999), da Austrália/Oceania (1998), da Europa (1991, 1999) e Oriente Médio (2010).

A polêmica que surgiu recentemente envolvendo o Governo Bolsonaro não se fundamenta, como disse Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB pois, “o Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia é uma iniciativa para que a Igreja compreenda sua missão evangelizadora naquela região do mundo: é um evento, uma celebração da Igreja e para a Igreja”. Portanto se trata de um assunto interno da Igreja Católica e não uma diplomacia de Estados, como alega o governo Brasileiro. Fato é que, só teme um evento desses quem tem alguma dívida para pagar!

Lucas André Pereira da Silva

Seminarista da Diocese de Sete Lagoas – 2º Ano de Teologia

 

Referências Bibliográficas

PRUETT, Dave. A ecologia integral do Papa Francisco. Tradução de: Isaque Gomes Correa. In: Instituto Humanitas Unisinos. Disponível em: <http://www.ihu.unisinos.br/169-noticias/noticias-2015/543131-a-ecologia-integral-do-papa-francisco>. Último acesso 02/2019.

SUESS, Paulo. Por “uma Igreja com rosto amazônico e com rosto indígena”. Sínodo Pan-Amazônico e a busca de um novo paradigma de evangelização. Entrevista especial com Paulo Suess. In: Instituto Humanitas Unisinos. Disponível em: <http://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/578822-por-uma-igreja-com-rosto-amazonico-e-com-rosto-indigena-o-sinodo-pan-amazonico-e-a-busca-de-um-novo-paradigma-de-evangelizacao-entrevista-especial-com-paulo-suess>. Último acesso em 02/2019.

Entrevista com o Cardeal Dom Claudio Hummes: <https://www.youtube.com/watch?time_continue=43&v=5NPfdSu2cTY>.

 

 

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Dom Francisco Cota

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Em 10 de junho de 2020 foi nomeado pelo Papa Francisco, o sexto bispo da Diocese de Sete Lagoas (MG).

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