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Reforma da “providência” de uma nova consciência

Na teoria de Hegel apresentada na obra Fenomenologia do Espírito, há uma ideia interessantíssima chamada “dialética do senhor e do escravo”. O conteúdo transita entre a importância da relação com o outro, da consciência de si, da filosofia do desejo, e principalmente sobre a importância do trabalho como elemento fundamental da constituição da identidade do ser no mundo. Filosofia profunda, complexa e difícil uma vez que ultrapassa a simples contemplação das coisas dadas para avançar na lógica reflexiva de um movimento de auto reconhecimento oferecido através de uma atividade essencialmente humana, que é o trabalho.

Há alguns anos, depois de assistir “O Gladiador”, debatemos em sala de aula que a vitória estava em lutar contra o outro até matá-lo. A arena aplaudia e depois o dito herói continuava uma vida de lutas e mais lutas, tendo que sobreviver sempre matando…um leão a cada dia! Isso vai acontecer até o momento em que surge uma alternativa: para sobreviver, alguém deixava de ganhar. Em troca, tornava-se escravo do adversário. Esse último passa a ser senhor, desfrutar os deleites da vida enquanto o derrotado vai trabalhar para ele. Essa é uma virada fundamental. O desejo da vitória e seus encantos elimina a consciência daquilo que promove a verdadeira vitória: a transformação do mundo pelo trabalho, bem como a transformação de si mesmo. Quando o homem trabalha ele si transforma.

Somente aquele que trabalha sua consciência diante da finitude da vida percebe que o verdadeiro senhor é a morte. O escravo ao se angustiar diante da morte, teve a consciência de algo que o senhor não teve, e por isso, foi trabalhar essa nova consciência e transformar nessa condição, sua nova perspectiva de vida.

Não sou favorável a nenhuma reforma injusta das conquistas que já tivemos no Brasil. Porém, dados os fatos de nossa realidade, é hora de reconstruir significados para o trabalho, dar uma nova tônica à condição que pode ser libertadora na relação entre senhor e escravo e dinamizar uma alteridade que passa antes pelo trabalho que faremos com nossas vidas.

Transformar a dificuldade desses tempos em grito vazio não vai adiantar. Somente aquele que se transforma, trabalhando em si uma nova consciência, promoverá uma reforma das providências em defesa e garantia da vida.

 

Pe.Evandro Bastos

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Dom Francisco Cota

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Em 10 de junho de 2020 foi nomeado pelo Papa Francisco, o sexto bispo da Diocese de Sete Lagoas (MG).

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